Captação via SMS
16 de Janeiro de 2018 às 06:00

Para melhorar captação, ONG aposta em “velho conhecido”

Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram... Não faltam ferramentas tecnológicas para a organização que deseja inovar na captação e conquistar mais doadores. A Plan International Brasil — que defende os direitos de crianças, adolescentes e jovens, com foco na promoção da igualdade de gênero —, entretanto, preferiu apostar numa “novidade” criada há mais de duas décadas e meia: a mensagem de texto via celular, popularmente conhecida como SMS (Short Message Service).

“Nosso principal canal de comunicação é o DRTV (sigla para Direct Response Television, que é um anúncio de TV que estimula o espectador a dar uma resposta). Inicialmente, fornecíamos um número 0800 para as pessoas ligarem”, explica Samantha Federici, gerente de fundraising da Plan International Brasil.

Mas os resultados não se revelaram satisfatórios, segundo ela. “Recebíamos muitos trotes e já houve casos em que ninguém ligou depois de um DRTV.”

Havia ainda outro problema, conforme Samantha. “Contamos com uma equipe de call center ativo (que faz ligação), mas, quando havia o DRTV, precisávamos deixá-la em posição receptiva durante um tempo. E cada uma das duas pessoas que temos só conseguia atender uma ligação por vez.”

Para contornar todas essas limitações, a gerente de fundraising buscou na experiência da Plan International em outros países a solução que seria testada: o SMS. Assim, depois de ver o comercial, o espectador, ao invés de telefonar, enviaria uma mensagem de texto à organização, que, então, captava automaticamente o número de telefone de quem interagiu. Dessa forma, além da doação, eram gerados leads (contatos), aproveitados posteriormente numa ligação ativa.

“Com isso, otimizamos o uso do nosso call center, que passou a não precisar mais suspender suas atividades durante um tempo determinado para receber as ligações”, destaca. Outra vantagem em relação ao sistema de 0800 é que, se o SMS for enviado num domingo, quando não há expediente, o contato com o potencial doador pode ser realizado no dia seguinte.

Após adotar a alternativa, a organização não-governamental (ONG) nunca deixou de receber ao menos um retorno após a veiculação de um DRTV, conta a gerente de fundraising.

Mas você deve estar se perguntando: se a Plan International já usava SMS em outros países, por que não o adotou logo no Brasil? Samantha justifica: “Por aqui, o mais usual é o 0800, e ninguém recomendava utilizar o sistema de mensagens. Quando começamos, fomos pelo caminho mais seguro.”

Cautela

Ao ser questionada sobre o quanto o SMS incrementou a captação de recursos da Plan International Brasil, a gerente de fundraising recorre à cautela — mesmo diante da perceptível melhora dos resultados. Argumenta que a organização faz captação no país há dois anos e que há apenas um adotou o sistema de mensagem de texto via celular. “Ainda é cedo para assegurar que aumentou X%”.

 


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