OSCs com espírito de start ups
04 de Dezembro de 2017 às 07:00
Participar de uma reunião em uma ONG tradicional ou simplesmente visitar as instalações dessas organizações pode trazer um sentimento de que se está adentrando numa organização do século passado. O ritmo de trabalho, a forma como se desenham os projetos, a relação burocrática com o público atendido, tudo lembra algo desconectado do Século XXI. 
 
Pesquisas recentes nos EUA com OSCs, realizada pelo The Bridgespan Group, com apoio da Rockefeller Foundation, identificaram que a maioria dos líderes dessas organizações acreditam que, para avançar na implementação de sua missão, eles precisam imaginar e criar novas abordagens para resolver problemas sociais cada vez mais complexos.
 
Em outras palavras, identificou que precisamos de uma revolução de inovação nessas organizações, que possa trazer ambientes mais criativos, novas formas de pensar e imaginar o impacto social e um espírito de risco-erro-aprendizagem, típico do ambiente das start-ups. O problema é que, na pesquisa, apenas 40% das organizações disseram que estariam preparadas para fazer isso. Imagino que este percentual deva ser menor no Brasil.
 
Na mesma pesquisa, foi identificado que organizações que conseguiram avançar em trazer inovação para a forma como trabalham, compartilham 6 elementos em comum:
 
  1. Liderança catalítica, que ouve sua equipe e a empodera para resolver os problemas que realmente importam;
  2. Cultura da curiosidade, onde a equipe olha além das suas obrigações do dia a dia, questiona premissas e desafia construtivamente o pensamento uns dos outros, bem como o status quo;
  3. Equipes com diversidade: Equipes com diferentes origens, experiências, realidades, atitudes e capacidades é a matéria prima para criar um ambiente rico para geração de ideias inovadoras;
  4. Fronteiras porosas, que permitem que informações e insights fluam pela organização a partir de “vozes” do mundo exterior (incluindo dos beneficiários) e em toda a organização;
  5. Processos estruturados para gerar novas ideias: metodologias para identificar, testar e transformar conceitos em soluções práticas e concretas.
  6. Recursos alocados para inovação: financiamento, tempo, treinamento e ferramentas para apoiar o trabalho de inovação.
 
Neste artigo publicado no Stanford Social Innovation Review, os autores detalham cada um dos 6 elementos.
 
E neste website, foi criado uma ferramenta de auto diagnóstico para que organizações possam identificar como elas estão em relação a cada um dos 6 elementos, com materiais de suporte para se desenvolver em cada um dos aspectos.
 
Talvez fazer um auto diagnóstico e, a partir daí, provocar uma conversa na organização sobre o assunto, pode ser um primeiro passo a ser dado. Boa sorte!



Rodrigo Alvarez é Sócio Proprietário da Mobiliza. Administrador de Empresas, com Especialização em Fundraising pela Indiana Fundraising School, formação em Processos de Desenvolvimento pelo PROFIDES/Instituto Fonte e em Pedagogia Social pela Associação Brasileira de Pedagogia Social de Base Antroposófica. Atua há 20 anos com gestão e captação de recursos. Foi um dos fundadores da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos e é membro do Conselho Consultivo do Rogare – Centro de estudos internacional que pesquisa, entre outras coisas, sobre o futuro da captação de recursos no mundo. 
 


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