#meudiadedoar
13 de Novembro de 2017 às 07:00
Acordar cedo e ir doar sangue. Depois fazer um webinar gratuito com um tema novo para a comunidade. Acompanhar pela hashtag #diadedoar quais outras coisas estão acontecendo que possam ser inspiradoras. Antes do almoço escolher uma ONG nova e fazer uma doação online. E a tarde, deixar um livro lido num banco de praça pra que alguém curta tanto quanto eu a leitura dele.
 
Tirando o webinar, todas as outras atividades podem ser feitas por você também. Aliás, até o webinar, pensando bem. É que quis colocar qual vai ser minha rotina do dia 28/11/2017, daqui alguns dias. Uma rotina nada convencional, mas também nada impossível de ser feita por qualquer um. Será o #meudiadedoar.
 
Quando lancei faz uns anos o Instituto Doar, lançamos junto o #diadedoar. Antes mesmo da parceria oficial muito bem vinda que ocorreu no ano seguinte com o movimento #givingtuesday. Nesse meio tempo constituímos o Movimento por uma Cultura de Doação e então o Dia de doar, que não é pra ter dono mesmo, foi para os braços do Movimento, se associou ao movimento internacional e aqui estamos indo pra quinta edição.
 
Hoje é difícil uma ONG que não conheça o dia de doar. Mas ainda estamos longe de fazer com que todo brasileiro o conheça. Estamos a caminho, numa estrada longa, e é assim mesmo. Da mesma forma muita gente ainda não conhece o #givingtuesday no mundo. Pra você ter uma ideia, lancei esta ano no Uruguai o #diadedonar, um país tão próximo, e que ninguém ainda sabia da iniciativa. Lá, como aqui, temos um caminho longo. E isso também faz o desafio ser mais gostoso.
 
Imagina o dia onde cada um saberá o que fará no dia de doar? Que trocaremos ideias, faremos algumas coisas juntos? Que a internet esteja repleta não só da hashtag #diadedoar mas também do #meudiadedoar? Será lindo.
 
Enquanto isso, vamos aos poucos. Inspirando uns aos outros.  Porque o dia de doar não é pra que concentremos toda nossa solidariedade nesse dia e o resto do ano sejamos egoístas. É pra ser um dia símbolo, pra que possamos sentir que milhões de outras pessoas estão fazendo algum ato similar e assim o mundo fica mais bonito.
 
Nunca esquecerei quando fui com minha filha deixar um livro numa praça. Ela com um livrinho dela e eu com um livro meu. Ela tinha uns 4 anos (está com quase 20 agora!). E expliquei pra ela que esse gesto era pra fazer os livros serem livres. E que mais pessoas poderiam ler algo que ela tinha gostado muito.
 
Saímos de casa, e no apartamento vizinho ela parou e quis deixar o livro lá na porta. Eu achei estranho,  eu tinha acabado de mudar pra lá. Achei que era porque não queria deixar o livro numa praça e não tinha coragem de me dizer. Mas a resposta dela me surpreendeu e me emociona até hoje: Eu sei que tem um menino neste apartamento e queria deixar esse livro pra ele porque eu sei que ele vai gostar desse livro. 4 anos.
 
Eu concordei, ela deixou o livrinho dela em cima do capacho e fomos entregar o meu livro. Antes mesmo de chegar na praça ela me perguntou de novo: Mas pra quem você vai deixar o livro, pai? E eu respondi, Eu não sei, filha. Pra alguém que queira pegar, vamos deixar o livro livre e alguém vai querer levá-lo pra casa. E ela me surpreendeu de novo: Então podemos deixar esse livro em cima desse carro? E eu falei: Sim! E deixamos ele lá. Livre.
 
Acho que pra ela, com 4 anos, a concepção de deixar pra um desconhecido era ok. Mas deixar pra ninguém era complicado. Ela conseguia já entender que o livro poderia ser pro vizinho ou pro dono do carro. Desde pequena ela estava habituada a doar brinquedos no natal e no aniversário. Ela ganhava tanta coisa que o combinado era: pra caberem os novos, vamos doar os outros para a creche perto de casa. E ela sabia então, mesmo sem conhecer os meninos e meninas, que os brinquedos dela iam pra crianças perto de casa.
 
Porque estou te contando isso? Nem sei. Comecei a viajar na memória afetiva e de como intuitivamente a gente vai gerando experiências. Eu nunca tive um plano estruturado de fazer minha filha ser mais ou menos solidária. Basicamente eu quis e quero que ela seja feliz.
 
Mas se a gente faz algo normalmente, as crianças são esponjinhas. Eu não queria ensinar nada a ela sobre os livros livres. Eu ia doar um meu e chamei-a pra fazer o mesmo. Não fui eu que ensinei nada. Eu aprendi com ela. Vi o que estava se constituindo nela, um gesto, um hábito, do seu jeito.
 
Não sei qual será o dia de doar dela (preciso perguntar), mas o que sei é que somos todos esponjas uns dos outros. Imitamos aquilo que é bom, aquilo que nos mexe, nos afeta.
 
No #meudiadedoar eu vou despretensiosamente fazer minhas coisinhas. Neste e em vários outros dias da minha vida. E se eu puder inspirar alguém a fazer o mesmo, ou parecido, ótimo. Será lindo.
 
Este ano vou procurar também a hashtag #meudiadedoar. Quem sabe inspirei você e você me inspirará neste e em qualquer outro dia? E você inspirará outras pessoas? E será lindo. 



Marcelo Estraviz, escritor, empreendedor, palestrante, ativista. Fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) e da associação de ex-alunos do Colégio Miguel de Cervantes; conselheiro do Greenpeace, do Instituto Filantropia, do Cidade Democrática e do Engajamundo. Autor dos livros “Captação de diferentes recursos para organizações da sociedade civil” e “Um dia de captador“. Acaba de lançar o livro “Pause“, sobre suas experiências com períodos sabáticos. É Empreendedor Cívico da RAPS, Rede de Ação Política pela Sustentabilidade e Presidente do Instituto Doar


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