Telemarketing e face to face: dicas para motivar sua equipe de captação
06 de Setembro de 2017 às 07:00
Existem pessoas fundamentais na aproximação entre causas e doadores. São aquelas que fazem diariamente dezenas de ligações ou que conversam com um monte de gente na rua para apresentar sua organização e conquistar apoiadores. Mas será que elas estão suficientemente motivadas para realizar um trabalho, muitas vezes, considerado estressante e que convive com o risco de cair na mesmice?

Para descobrir como manter o bom espírito de sua equipe de telemarketing e de face to face, conversamos com duas especialistas responsáveis por tocar essas áreas.

A coordenadora de telemarketing do Greenpeace, Marina Buainain, dirige 60 operadores, divididos em duas agências contratadas. Já a coordenadora de diálogo direto da Anistia Internacional, Manuela Holtz, tem duas equipes internas de captação de recursos face to face, com seis pessoas cada. Ambas compartilham conosco suas dicas de motivação.
 

Parte de um todo

O primeiro passo para motivar sua equipe é fazer com que ela se sinta parte da organização. “Nosso time é interno, quem está conosco quase sempre vem por causa do que defendemos ou do que somos. Ainda assim, temos de mostrar que não lidamos com coisas palpáveis, como levar vacinas para crianças ou médicos para idosos. Lutamos é por engajamento”, diz a coordenadora de diálogo direto da Anistia Internacional.

Com o Greenpeace, a história é um pouco diferente, pois a organização trabalha com duas agências externas. “Nós transformamos o local de trabalho em um ambiente semelhante ao nosso. Colocamos banners, material de divulgação, produtos e até algumas regras. Numa empresa em que não pode trabalhar de short, nossos teleativistas têm permissão para usar essa roupa, como na nossa sede”, afirma a coordenadora de telemarketing.
 

Eles sabem do que estão falando?

Ambas as organizações adotam a estratégia de constantemente reunirem seus times para treinamentos internos. “Não tem como o telemarketing funcionar, se quem trabalha não conhece a causa. Quem é novo, por exemplo, faz uma imersão de dois dias no Greenpeace”, conta Marina.

“A cada duas semanas, realizamos treinamentos nos quais apresentamos técnicas de conversa e conteúdos sobre as campanhas que estamos tocando. Também criamos dinâmicas para que as pessoas da equipe se conheçam bem”, completa Manuela.
 

Tenha um plano

Mesmo trabalhando com causas, o Greenpeace não escapa de algo recorrente no mercado de telemarketing: a alta rotatividade. “Não dá para pensar num plano anual de recompensas, pois muita gente entra e sai da equipe. Todo mês, nós criamos um novo planejamento motivacional, levando em conta quem está conosco”, afirma Marina Buainain.
 

Motive, mas da maneira certa

Planos mensais de recompensas, citados acima por Mariana, também têm a ver com o fato de que pessoas diferentes são motivadas por questões diversas. “Para uma mãe com filho, o tempo é importante. Ofereça a possibilidade de sair mais cedo, caso a meta diária seja atingida. Já um jovem não se importa tanto com isso e responde melhor, por exemplo, se ganhar ingressos de cinema.”

E dinheiro? É uma boa maneira de estimular? Por princípio, Manuela Holtz diz que a Anistia Internacional não trabalha com esse tipo de estratégia: “Preferimos mesmo dar brindes ou folgas. Somos sem fins lucrativos e isso estimula uma competição que não é saudável”. E pela experiência do Greenpeace, “incentivo financeiro é o que menos funciona”, segundo Marina.
 

Um por todos!

Manuela confessa que a Anistia Internacional patinou um pouco até acertar quem deveria ser premiado. “No começo, dávamos premiações individuais, mas isso incentivou uma competição interna que não deu resultados. Hoje, reconhecemos a coletividade e premiamos as equipes. Todos ganham.”
 

Ajuste fino

Tanto no telemarketing quanto no face to face, é fundamental acompanhar de perto o trabalho para ver o que está funcionando e o que precisa melhorar. “Recebemos relatórios sobre o trabalho de cada operador. Se um não bate a meta, conversamos com ele, sentamos do lado, procuramos o que não está dando certo. Por outro lado, também queremos saber de quem ultrapassou a meta, o que foi feito de correto”, diz a coordenadora de telemarketing do Greenpeace.

No caso das equipes de rua, o funcionamento é semelhante. “Quando percebemos que o trabalho não está rendendo, paramos tudo para tentar resolver o problema e, então, retomar”, conta a coordenadora de diálogo direto da Anistia Internacional.


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