Entidade de origem japonesa capta R$150mil com festa junina
22 de Junho de 2017 às 07:00
O nome já indica: a Kibô-no-Iê, que atende pessoas com deficiência intelectual, tem raízes japonesas. Foi fundada por uma assistente social nascida em...Tóquio. Oferece, entre outras atividades, takkyu volley, uma espécie de mistura de vôlei e pingue-pongue originada no...Japão. Todo início de primavera organiza um evento repleto de símbolos...japoneses. E todo início de junho realiza uma grande festa... nipônica? Não, junina. Que tem como principal atração culinária...sashimi? Não, boi no rolete.

O fato de uma entidade com vínculos orientais recorrer a esse festejo tipicamente brasileiro como ferramenta de captação, mobilização de voluntários e de relacionamento com a comunidade mostra a força que ele tem. "Nos últimos dois anos, tivemos um público em torno de 3 mil pessoas e captamos cerca de R$ 150 mil por evento", conta Thaís Jorge, subgerente da Kibô-no-Iê (que, em japonês, significa casa da esperança).

Mas quais são os segredos desse sucesso? Muitas coisas dependem da gestão da organização, mas o exemplo da ONG paulista mostra alguns passos fundamentais.

Data fixa

Um deles, adotar uma data fixa. Não basta ser em junho - é sempre na mesma época. No caso da entidade de Itaquaquecetuba (SP), sempre no primeiro domingo do mês – a de 2017 foi a 15ª Festa Junina com Boi-no-Rolete.

"Ter um dia fixo, o primeiro domingo, faz com que as pessoa aguardem o evento com antecipação e se programem para ir. Os voluntários, por sua vez, começam o ano já com a data reservada", afirma Thaís.

Voluntariado e cronograma de planejamento

Outro segredo é o voluntariado – e a elaboração de um cronograma com as etapas de ação. A Kibô-no-Iê tem uma equipe de 40 diretores voluntários, que se renovam periodicamente. É dentre eles que se escolhe, em janeiro, o responsável por organizar a festa junina.

Em fevereiro, começa a captação de patrocínios. "Nós visitamos empresas levando propostas de contrapartidas, como exposição da marca em banners. Várias delas já estão conosco há muitos anos, mas os diretores voluntários, que muitas vezes são empresários, acabam conseguindo novos patrocinadores", ressalta Thaís.

Nas semanas que antecedem o evento, a organização faz campanha para arrecadar junto à comunidade insumos para preparar parte da comida. Na semana exatamente anterior, 30 voluntários montam a estrutura. No dia, cerca de 200 pessoas trabalham nas barracas de alimentos e de brincadeiras que se espalham pelo grande terreno da organização.

A venda de convites é fonte importante de recursos. Este ano, custavam R$ 50, e davam direito ao almoço (o boi no rolete), refrigerante e água.

"A festa começa com um custo inicial muito baixo, potencializando nossa captação, que ocorre também no dia, com a venda de alimentos, bebidas, produtos e fichas para brincadeiras", explica a subgerente.

A arrecadação da festa de 2017 ainda não foi fechada. Os custos aumentaram – por exemplo, em razão da instalação de uma cobertura maior para proteger contra chuvas. Mas o público também cresceu: 3,5 mil, contra média de 3 mil.

"Alguns novos diretores devem ter trazido convidados que nunca tinham vindo. Também apostamos muito na divulgação via Facebook, fazendo posts patrocinados. E novas barracas de produtos hortifrutis, direto de produtores, fizeram muito sucesso e devem reforçar a arrecadação.”

Certamente a fundadora, a japonesa Koko Ichikawa, não pensou que festas juninas teriam importância tão grande para a organização que fundou em 1963. Hoje, no entanto, elas são imprescindíveis tanto para a visibilidade da Kibô-no-Iê (“como o evento ocorre dentro do nosso terreno, conseguimos aproximar o público da nossa causa", diz Thaís) quanto para a manutenção de uma estrutura com mais de 100 funcionários, que atende 65 adultos com idades de 31 a 74 anos.


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