Estratégia e abordagem personalizada são a chave para pedir aumento ou doações extras
20 de Abril de 2017 às 07:00
Quem trabalha com captação conhece bem os desafios e as dificuldades na hora de atrair novos doadores. A solução para incrementar a arrecadação de recursos, no entanto, pode estar na própria base, entre aqueles que já colaboram com sua entidade. Mas atenção: pedir doações extras ou aumento do valor da contribuição exige estratégia e abordagem personalizada.

A organização não governamental Aldeias Infantis SOS Brasil, que promove ações na defesa e garantia dos direitos de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade, tem apostado nesses dois caminhos. Filipe Páscoa, diretor de mobilização e comunicação da entidade, afirma que após seis meses de doações recorrentes, uma ONG já pode pensar em solicitar um aumento no valor de contribuição. Os pedidos extras, por sua vez, devem acontecer, sobretudo, em situações emergenciais, como uma enchente ou em datas comemorativas —Natal e Dia das Crianças, por exemplo.

“Ambos os casos exigem uma relação de confiança entre a organização e os doadores. Isso é construído de três maneiras: mostrando competência na sua atuação, apresentando seu histórico e sendo transparente.”

Saber como e para quem vai pedir é fundamental. Nesse contexto, a tecnologia é uma importante aliada no momento de traçar um plano de ação. “Usamos ferramentas de análise de dados que permitem estudar o comportamento do doador, reduzindo o máximo possível o risco de insucesso. Estamos atentos à chamada donor journey, pois não dá para falar com todos da mesma forma”, diz Páscoa.

Entre os detalhes que devem ser levados em consideração estão a localização geográfica, o tempo dedicado à causa, o canal de aquisição, o comportamento no último ano e o valor doado. “No carnaval, fizemos campanhas no Rio de Janeiro, Recife e Salvador contra o abuso de crianças e adolescentes. Sabemos, graças à nossa base, quem são as pessoas que vivem nesses lugares e que se interessam por esse temas especificamente”, explica o diretor de mobilização e comunicação.

Segundo o representante da Aldeias Infantis, a organização conseguiu, por meio de campanhas, que 30% dos contatados aumentassem o valor de doação. Já os pedidos extras não tiveram tanto retorno financeiro. “Em situações de emergência, as pessoas gostam mais de doar gêneros como água ou alimentos. Mas é uma ferramenta importante de relacionamento com nossa base e com possíveis novos doadores. É uma oportunidade de aquisição.”

Mesmo recorrendo a essas duas formas de arrecadação, a entidade pretende continuar investindo fortemente no aumento de sua base de doadores. A meta é transformar os 25 mil atuais em 75 mil, no ano de 2020, o que garantirá à ONG sustentabilidade e independência em relação a recursos externos.
 
 
 


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