Para captar com empresas, é preciso deixar claro quais retornos elas terão, ensina especialista
21 de Março de 2017 às 07:00
O investimento social de empresas costuma ter duas características valiosas: ticket médio alto e recorrência. Até por isso, conseguir essa fonte de recursos é estratégico para a sustentabilidade das organizações da sociedade civil. Mas é necessário mostrar às companhias o que elas estão recebendo em troca.

“Hoje em dia, quem não trabalha com responsabilidade social fica para trás aos olhos dos consumidores. É um investimento que dá um retorno econômico para as empresas”, destaca Pedro Werneck, diretor executivo do Instituto da Criança, entidade que incentiva a formação de lideranças comunitárias e que tem no setor corporativo a fonte de cerca de 40% de seu orçamento anual.

A importância que a responsabilidade social adquiriu no meio empresarial pode ser atestada, segundo Werneck, pelas contrapartidas exigidas por algumas instituições financeiras na hora de conceder empréstimos.

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, exige investimento social proporcional ao volume de dinheiro que cede para a empresa”, ressalta o representante do Instituto da Criança.

Há ainda outra vantagem para a companhia que coloca a responsabilidade social no rol de suas preocupações. “É uma ferramenta para captar talentos. Os jovens da chamada geração Y (nascido após 1980) se importam cada vez mais, na hora de buscar um emprego, se as empresas estão envolvidas com alguma causa.”

De bronze a diamante

No caso do Instituto da Criança, foi desenvolvido um sistema de cotas pré-definidas, nas quais, para cada faixa de valor doado, são oferecidos em troca retornos que vão “desde o posicionamento da marca da companhia no material da entidade a serviços como organização de ações de voluntariado”, explica Werneck.

O investidor corporativo também se transforma em “coautor”, ajudando a definir as atividades da instituição. “Dessa maneira, compartilhamos resultados, e nossas ações viram o braço de responsabilidade social dos financiadores”, aponta Werneck.

O instituto tem quatro categorias de patrocínio (diamante, ouro, prata e bronze), com valores e contrapartidas capazes de atender desde pequenas empresas até grandes corporações.

“A nossa intenção é atrair os mais diferentes perfis. Fizemos estudos com nossos conselheiros voluntários e consultores para definir como seriam as categorias que criaríamos. Decidimos por quatro, até porque seria muito confuso lidar com muitas opções.”

Os bons retornos do financiamento empresarial vêm, claro, à custa de muito trabalho. “O contato com as empresas é uma atividade permanente. Demora bastante para amadurecer esse relacionamento, que, muitas vezes, começa com um doador pessoa física. Depois de muito tempo, ele acaba colocando sua empresa como doadora, até para investir mais.”
 


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