Feliz 2027!
16 de Janeiro de 2017 às 07:00
Você não leu errado, feliz 2027! É que desejo a você, que já deve estar cansado de receber os parabéns pelo novo ano assim como já deve estar em vias de desistir das primeiras decisões para estes próximos 12 meses.
 
A vantagem de falarmos de 2027 é que é tão lá na frente que podemos sonhar, de fato. Podemos colocar nos planos alguns dos desejos que sempre adiamos, que não conseguimos colocar nem para o próximo ano.
 
Quando organizamos um planejamento estratégico, sempre sugiro colocarmos nossa visão lá na frente, pra daqui 10 anos, no mínimo. E pensarmos tanto no que queremos como também como é estar em 2027 e olhar pra trás e ter orgulho do que se fez. Então eu quero fazer esse exercício agora com você. Vamos lá na frente, lá em 2027, e vamos sentar na janelinha e olhar pra trás, olhar pra tudo o que aconteceu e o que se fez nesses 10 incríveis anos.
 
Primeiro e mais importante: Estamos vivos! Uhú! Isso já é ótimo, não acha? No meio de tanto caos, violência, doenças, terrorismo, estarmos vivos é uma benção. 10 anos e vivos! Uau! Já sinto gratidão só por isso.
 
No trabalho, se você está trabalhando em uma ONG hoje, podem acontecer muitas coisas, vamos imaginar as boas: Ela está ótima e você continua trabalhando nela e está feliz. Essa é a melhor das possibilidades. Não adianta ela estar ótima e você infeliz. Aliás, nunca vai adiantar você estar infeliz em lugar nenhum. Se daqui há 10 anos você está em algum lugar e infeliz, saia daí, já. Antes dos 10 anos passarem.
 
Mas vamos supor que você está trabalhando numa ONG, está feliz, a ONG está bem. E porque tudo isso está acontecendo? Porque tem mais dinheiro do que nunca? Talvez. Mas minha aposta é que tudo está bem (inclusive o dinheiro) porque a ONG conseguiu se legitimar perante a sociedade. Ela é uma ONG importante, tem reputação, é reconhecida pela causa que defende. E consequentemente consegue dinheiro. Não porque ele caia do céu, mas porque existe um departamento de captação bem estruturado que trabalha de forma integrada as solicitações e o convívio com doadores e potenciais doadores.
 
Nesses 10 anos muita coisa aconteceu no segmento também. Todo mundo tem ferramentas muito mais facilitadas para doar. Não significa que todo mundo doa, isso nunca vai acontecer em nenhum lugar, mas existem plataformas e mecanismos de doação muito mais simplificados. Podemos doar com uma tecla do celular, ou com a impressão digital, ou passando o celular numa outra tela. O botão de “doe agora” é muito mais simples, está associado com uma chamada para a ação muito mais direta, um simples piscar de olhos, literalmente falando.
 
As organizações de sucesso tem todas mais de 200 mil doadores (as de nicho tem menos de 5 mil, mas atuam de forma local ou especializada). A notícia triste é que dezenas de milhares de ONGs fecharam suas portas, mas o motivo é simples: não se desenvolveram, viveram no passado, achando que poderiam seguir sendo financiadas eternamente pelos mesmos apoiadores, sejam eles estrangeiros, empresas, governos... Notícia boa: Não há causa sem pelo menos um punhado de ONGs defendendo-a. Existem centenas de Federações de ONGs cuja causa é a mesma, mas atuam localmente. Como as APAES hoje. Mas em 2027 há federações cujas causas vão do câncer infantil ao autismo, passando pela qualidade da agua, desenvolvimento local, moradores de rua... Podemos em 2027 exercer a frase dos velhos ambientalistas: Pense global, aja local.
 
Os captadores de recursos são já uma profissão aprovada no Ministério do Trabalho, existe um sindicato, a ABCR se transformou na maior organização de profissionais do terceiro setor, com milhares de associados. O festival ABCR de 2027 ocorre simultaneamente em 5 cidades com a presença virtual de palestrantes internacionais, já que o Brasil virou referência, num crescimento constante de doadores e doações desde a primeira pesquisa feita em 2016.
 
O dia de doar se tornou um grande evento mundial, o primeiro evento verdadeiramente mundial envolvendo a solidariedade humana. No Brasil o dia mobiliza familias, escolas, funcionários de empresas e prefeituras, universitários, programas de TV, blogueiros e centenas de cidades que fazem do dia sua grande festa colaborativa.
 
Nos demais dias do ano, uma pessoa comum tem uma carteira de doações recorrentes e comenta com os amigos sobre qual está apostando mais, qual pensa deixar, qual é uma nova doação.
 
As pessoas são assediadas (as vezes até demais) por possibilidades de doações esporádicas, via celular, mensagens visuais, outdoors e convites para eventos. Excelentes shows são feitos para financiar esta ou aquela causa. Há uma programação intensa de músicos de todos os tipos, para todos os gostos.
 
Os produtos que compramos são, quase todos, vinculados a alguma causa. Nossas escolhas (quando não são por preço) são focadas em causas e principalmente por dinheiros que são repassados às organizações.
 
Em 2027 um cidadão comum tem em suas mãos o poder de fazer a diferença, doando para as causas que acredita. E é exatamente isso que ele faz.


 
Marcelo Estraviz, escritor, empreendedor, palestrante, ativista. Fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) e da associação de ex-alunos do Colégio Miguel de Cervantes; conselheiro do Greenpeace, do Instituto Filantropia, do Cidade Democrática e do Engajamundo. Autor dos livros “Captação de diferentes recursos para organizações da sociedade civil” e “Um dia de captador“. Acaba de lançar o livro “Pause“, sobre suas experiências com períodos sabáticos. É Empreendedor Cívico da RAPS, Rede de Ação Política pela Sustentabilidade e Presidente do Instituto Doar


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