Indivíduos doam mais para saúde; empresas, para cultura e educação
09 de Setembro de 2016 às 00:00
Qual o tema social que mais deve mobilizar o país? Empresas e indivíduos têm respostas diferentes para essa pergunta crucial, a julgar pelos levantamentos mais recentes sobre doação de recursos privados.

Pessoas sensibilizam-se mais com questões ligadas a saúde, indica a Pesquisa Doação Brasil, feita pelo Gallup e coordenada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis). Os números divulgados em junho mostram que essa causa foi citada por 40% dos 2.230 entrevistados. A proporção pode ser ainda maior, pois outras áreas muito mencionadas – como a segunda, crianças (36%), e a quarta, idosos (21%) – também estão relacionadas a esse assunto.

Já entre as empresas a saúde é a terceira área que atrai mais recursos (11%), de acordo com a edição de 2015 do Benchmarking do Investimento Social Corporativo (Bisc), da Comunitas. As áreas que lideram são patrocínio de eventos culturais (21%), ausente da lista das 15 causas que mais sensibilizam os cidadãos, e educação (16%), a sexta no ranking da Doação Brasil. O Bisc, que ouviu 312 empresas, 24 fundações empresariais e uma entidade representativa da indústria, também se debruçou sobre os institutos, que centralizam o investimento social de algumas corporações e fazem gestão de projetos. Nesses, a educação é disparado o tema mais relevante (70%), seguido de cultura (12%). Saúde é o nono (1%).
 
CAUSAS QUE MAIS MOBILIZAM
  Indivíduos Empresas Institutos
Saúde Cultura Educação
Criança Educação Cultura
Fome e pobreza Saúde Geração de renda
Idoso Esporte/Lazer Esporte/Lazer
Situações emergenciais Geração de renda Formação técnica e profissional
 

Por que essa dissonância? “Os indivíduos tendem a focar mais nas necessidades imediatas, que sensibilizam, enquanto as empresas tendem a ser mais estratégicas e a pensar no relacionamento com a comunidade”, analisa Andréa Wolffenbüttel, diretora de comunicação e relações institucionais do Idis.

“No caso da educação, o interesse das empresas se deve a uma questão estratégica, pois o tema é ligado ao desenvolvimento do país e significa, no médio e no longo prazo, a busca por uma mão de obra mais qualificada”, avalia Anna Maria Peliano, coordenadora do Bisc. “Já a cultura aparece principalmente por causa da Lei Rouanet, de incentivo, que dá abatimentos no Imposto de Renda para quem patrocina eventos culturais”, acrescenta.

As duas especialistas não veem um problema nessa visão distinta entre pessoas e corporações. “Tanto educação quanto saúde são tidas por todos como problemas sérios. A diferença leva a uma distribuição melhor de recursos”, afirma Anna Maria. “É importante ter o investimento social corporativo, com uma visão mais estratégica, e o doador individual, que é quem acaba sustentando organizações que ninguém mais sustenta e que responde a um sofrimento mais imediato. Os dois se movem por bússolas diferentes, mas cada um tem sua função”, complementa Andréa.


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