Comunicação, Confiança e Captação
05 de Setembro de 2016 às 09:40
Vamos lá. Precisamos ter uma conversar séria.
 
Neste último dia 18 de agosto foi lançada a segunda fase da pesquisa sobre doação no Brasil realizada pelo IDIS e Gallup, e a situação está bem crítica para as organizações da sociedade civil (OSCs). A pesquisa, feita no inicio deste ano com 2.230 pessoas em todo o Brasil, revela que, apesar da maioria dos brasileiros acreditar que as OSCs são necessárias e que trabalham bem; acha que as OSCs não são confiáveis, principalmente na utilização dos recursos porque não são transparentes.
 
Confira alguns dos números:
  • Apenas 33% dos entrevistados confiam no que as ONGs farão com seu dinheiro se doarem
  • Apenas 28% concordam que as ONGs deixam claro o que vão fazer com os recursos que aplicam
  • Apenas 26% concorda que as ONGs são confiáveis
 
Esta pesquisa apresenta um quadro mais desfavorável para o terceiro setor do que o Trust Barometer da Eldeman Sgnifica que mede a confiança nas instituições como governo, empresas, mídia e ONGs. Neste ano, apontou que 62% dos entrevistados cofiam nas ONGs no Brasil, contra 57% do ano anterior. E fica atrás das empresas, que tem a confiança de 68% da população brasileira
 
Podemos questionar a discrepância dos números, as metodologias utilizadas e fazer diversas ressalvas comparando uma pesquisa contra outra, mas tudo seria subterfúgios para não refletir sobre a questão proposta: a importância da confiança para o sucesso das OSCs. Como captar recursos, sem confiança? Como chamar a atenção das pessoas e influenciar comportamentos para uma causa sem confiança? Muito difícil.
 
Calma, tem luz no final do túnel.

A própria pesquisa do IDIS-Gallup aponta alternativas de como reverter a situação. Quando questionados sobre quais razões fariam os entrevistados “doar mais” ou “passar a doar”, após a questão financeira de “ter mais dinheiro”, a transparência e a confiança são os próximos itens da lista. E foram detalhados como “saber mais como o dinheiro esta sendo usado”, “a organização ser mais transparente (prestar contas)” e “achar um organização que confie”.

A pesquisa reforça duas relações já sabidas pela maioria dos profissionais, captadores e gestores do terceiro setor, mas que se perde meio aos desafios de gestão: a doação depende de confiança, e confiança se adquire sendo transparente e prestando contas, ou seja, se comunicando de forma adequada com os diversos públicos com que a organização se relaciona.

Como está a estratégia de comunicação da sua organização?

Usualmente as organizações se preocupam em ter um nome e imagem que as identifiquem (logomarca), um folheto que explique sua atuação, e muitas exploram o mundo da internet com website, blogs, boletins eletrônicos, contas no twitter e fanpages no Facebook para angariar “curtidas”. Com recursos escassos, esses materiais e ferramentas são feitos, normalmente com pouco orçamento e muito voluntariado.

Esta forma de fazer comunicação atende a algumas necessidades, mas pelos dados da pesquisa apresentada pelo IDIS-Gallup, não está sendo eficaz. É imperativo que as organizações revejam suas práticas de comunicação para criar as bases de uma relação de confiança com os públicos que se relacionam e com a sociedade como um todo.

A comunicação de uma OSC precisa ser pensada de forma alinhada com o plano estratégico da organização e de captação. A partir daí pode-se definir os objetivos de comunicação, identificar os público-alvos, elaborar um posicionamento, trabalhar a mensagem de forma adequada e fazer a seleção dos canais. Tudo isso considerando o orçamento existente, e os meios de verificação e mensuração dos resultados.

E é isso que vamos explorar aqui neste espaço. Este é o primeiro artigo se uma série que me comprometi a desenvolver como articulista da Captamos, sobre o universo da comunicação e relacionamento. Conto com sua participação nesta jornada! Por favor compartilhe suas experiências, suas dúvidas, dilemas e descobertas. E sugestões de temas para os próximos artigos!
 

Sobre a autora: Márcia Kalvon Woods é comunicadora social formada pela ESPM, com mais de 15 anos de experiência no 3o setor, como gestora e especialista em investimento social. É vice-presidente da SAAP, Associação dos Amigos do Alto dos Pinheiros, membro dos Conselhos Curadores da Fundação Stickel e Amor Horizontal. É sócia da ABCR.
 


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