Falta de confiança nas organizações desencoraja doadores, mas também pode ser oportunidade
29 de Outubro de 2018 às 07:00
A confiança é importante para que as pessoas doem? “Sim”, crava Marcelo Estraviz, presidente do Instituto Doar, entidade que busca ampliar a cultura de doação no Brasil. Uma pesquisa do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, no entanto, revela que há um grande obstáculo a ser superado: 40% dos entrevistados dizem não confiar no que será feito com seus recursos, caso resolvam ajudar financeiramente uma ONG. Mas esse problema pode ser, ao mesmo tempo, uma oportunidade?

Estraviz vê a questão por ambos os lados. “A confiança é um pilar na própria vida. Não faz sentido vivermos junto daqueles em que não acreditamos. Então, o mesmo se dá na relação com organizações da sociedade civil”, explica.

Para ele, a desconfiança não é um problema em si. “É saudável desconfiar de uma ONG e, por isso, ir visitá-la, averiguar, ler relatórios. Melhor do que entrar em roubadas”, pondera.

O presidente do Instituto Doar observa, porém, que essa descrença não recai sobre causas, mas sobre organizações. E esse detalhe faz toda a diferença, pois há uma maneira eficaz de separar o joio do trigo: a transparência.

Para jogar holofote nas instituições que realizam um bom trabalho e, portanto, mostrar que são dignas de credibilidade, algumas ações estão surgindo. O instituto presidido por Estraviz, por exemplo, criou o Selo Doar, que “atesta, certifica, averigua e ajuda a expor as organizações que fazem sua lição de casa”. 

Outra iniciativa é a premiação Melhores ONGs — uma parceria entre o Instituto Doar e veículos de mídia —, chamada por Estraviz de “Oscar” do terceiro setor, pois valoriza instituições que focam em gestão e transparência.

Esse tipo de divulgação é fundamental, pois no Brasil, as pessoas que têm o hábito de ajudar instituições não costumam conversar sobre o assunto com os mais próximos. “Não somos muito expansivos sobre nossas doações cotidianas. E como confiamos em nossos familiares e amigos, se soubéssemos que eles doam, isso nos animaria a fazer o mesmo.”

O reconhecimento público confere mais legitimidade às organizações e, consequentemente, contribui para aumentar a receita de doações, afirma Estraviz.


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