"Deu match": plataforma de captação faz a ponte entre organizações sociais e grandes empresas
15 de Agosto de 2018 às 06:00
Sabia que R$ 1,5 bilhão poderia ter sido usado para financiar projetos sociais e culturais em 2017, mas a verba simplesmente ficou no caixa do governo brasileiro?

Uma das principais explicações é a dificuldade encontrada por ONGs e empresas na hora de usar leis de incentivo. E foi pensando nisso que Clarissa Iser criou a Bee The Change, plataforma que une financiadores e captadores.

“Na minha prática, eu tinha uma inquietação. Apenas cerca de 60% dos recursos de renúncia fiscal para projetos sociais e de cultura são utilizados por ano. Os outros 40%, em torno de R$ 1,5 bilhão, voltavam para o governo. Isso numa conjuntura em que o terceiro setor tanto precisa de financiamento”, conta.

Com 15 anos de experiência em captação, ela percebeu que o problema atingia principalmente organizações menores, que não conseguiam chegar aos grandes investidores que usam leis de incentivo. “Era preciso democratizar o processo. A mobilização de recursos com essas ferramentas é complexa. Já as empresas sofrem com a insegurança jurídica e, muitas vezes, mantêm uma equipe só para fazer esse investimento”, afirma.

A Bee The Change tem como objetivo justamente facilitar a captação com leis de incentivo, tornando mais simples o acesso a esses recursos. Nela, as organizações criam perfis e cadastram seus projetos incentivados. Na outra ponta, empresas de todo o Brasil e pessoas físicas se inscrevem e informam quais tipos de inciativas têm a intenção de apoiar. A plataforma, então, encaminhará as propostas para potenciais patrocinadores a partir de um match de perfil. Uma das grande sacadas da tecnologia é que ela aumenta as chances de uma pequena instituição dialogar com um grande financiador.

Ferramenta de gestão

Por enquanto, a Bee The Change trabalha com sete leis de incentivo federais: Lei Rouanet, Pronas, Pronon, Lei do Audiovisual, Lei de Incentivo ao Esporte, Fundo da Infância e Adolescência e Fundo do Idoso.

“Por seu desenho, ela também funciona como ferramenta de gestão. Depois que a empresa e a organização chegam a um acordo, a plataforma mesmo gera um contrato. Toda a parte de prestação de contas também é feita internamente. Focamos em uma usabilidade fácil do sistema, pensando nas organizações menores”, explica Clarissa.

A inscrição na plataforma é gratuita, tanto para captadores quanto para apoiadores. É cobrado apenas um valor de comissionamento se a parceria for fechada. E, mesmo assim, a cobrança é sempre de 60% do teto previsto em cada lei de incentivo.


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