Transparência e Captação de Recursos: andando sempre juntas
01 de Abril de 2016 às 23:36
Se você estuda sobre captação de recursos, já deve ter lido sobre a importância do planejamento e da diversificação. Deve também ter visto que captação de recursos requer tempo, investimento e equipe, e que é um processo, e não uma ação pontual. Com certeza já viu que captação de recursos é estratégica para a sustentabilidade das organizações, e também transformadora, viabilizando o cumprimento da sua missão. Mas há algo de que se fala muito pouco, e que é tão importante como o resto: para o sucesso da captação de recursos, a transparência é fundamental.
 
Sim, ser transparente é fundamental e é um dos principais fatores que garantirá o sucesso na captação de recursos das organizações, pois consolida a relação entre elas e seus doadores, e também dela para com toda a comunidade.
 
E como uma organização deve agir se quiser realmente ter a transparência como um valor da sua gestão? Apresento, a seguir, algumas das dicas mais importantes sobre o tema:
 
1 - Deve ter uma página na internet. Toda organização tem que ter um site, simples, mas completo, que disponha das informações mínimas, como missão, visão, equipe, formas de contato etc. Para a captação, além do site, é importante ter também um botão de doação sempre visível.
 
2 - Quem é a equipe da organização? E, principalmente, quem forma o corpo dirigente dela? Todos os doadores devem ter acesso à informação sobre quem dirige a instituição, para que confiem na gestão e na sua liderança. Os nomes dos Conselhos de Administração (ou Deliberativo), Conselho Fiscal e dos Diretores deve constar no site e estar sempre atualizados.
 
3 - A sua organização tem relatório de atividades anual? Tem que ter, e tem que divulgar. Um relatório de atividades é um documento completo que mostra as atividades desenvolvidas pela organização e seus resultados alcançados, o perfil do seu público, os seus parceiros, os seus números. E é visualmente bonito. Um relatório de atividades é um documento de prestação de contas para a comunidade e a sociedade, e é também um documento de captação de recursos – serve para que os doadores tenham confiança na organização.
 
4 - Já vi muitas instituições que se recusam a divulgar seus números financeiros. Usam o argumento de que não podem, que há concorrência, as outras saberiam dos dados delas. Este argumento é falacioso. Se é uma organização da sociedade civil, que tem finalidade pública – uma causa, um grupo, uma bandeira – não se pode pensar desta forma. É preciso ser transparente. E isso significa colocar, pelo menos no site, e no seu relatório de atividades, os números da organização, um Demonstrativo de Resultados do ano, o balanço atualizado. Se eu estou doando, eu quero saber como o meu dinheiro está sendo aplicado, e quero ver que está sendo bem utilizado, para continuar doando mais e mais, e por muito mais tempo.
 
5 - E há algo muito, muito simples, e que muitas vezes é deixado de lado pelas organizações: é importante manter comunicação direta com seus doadores e com toda a comunidade. Vale fazer um informativo periódico, mesmo que apenas mensal, mas deve-se realmente comunicar com frequência o que a organização está fazendo, como as conquistas obtidas e, às vezes, até as dificuldades superadas. Isso dá legitimidade inclusive para novos pedidos de doação, quando a organização precisa reforçar o seu trabalho de captação e ampliar os recursos. E, como já diria Chacrinha, “quem não se comunica, se estrumbica”, e a comunicação pode ser feita via boletins eletrônicos, jornais, revistas, informativos semanais, etc.
 
Muito bem. Site, conselhos, relatório de atividades, balanços e informativos periódicos. Cinco importantes ações que uma organização tem que desenvolver para ser transparente para com seus doadores e a comunidade. Cinco ações que vão torná-la mais forte e preparada para ampliar sua captação de recursos, e conseguir impactar ainda mais o país de forma permanente e sustentável. Não dá para fugir delas, não dá para não ser transparente no Terceiro Setor. É pressuposto, é obrigação. E é o que querem a comunidade e os doadores, e por isso tem que ser prioridade também dos captadores.

João Paulo Vergueiro, diretor executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, administrador, mestre em administração e professor da FECAP.


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