O Novo Poder
21 de Maio de 2018 às 06:00
Todos te pedem pra sair da caixa, pra mudar, pra pensar diferente, pra inovar, pra emprender neste novo mundo conectado. Mas afinal, do que se trata essa tal mudança? Um desejo? Um método? Um impulso para fazer de outra forma? E principalmente: preciso mesmo fazer diferente? Por que?

Algumas coisas vale mesmo a pena fazer igual, porque já chegaram na sua eficiencia máxima. Ir daqui pra lá, o melhor é em linha reta. Não invente. Mas se existem opções de ruas, trânsito, algoritmos variados, vai segundo as dicas do Waze. Ele vai te levar pro lugar certo da maneira mais rápida. Não invente, vai de waze.

Tudo aquilo que pode ser calculado por algoritmos, de caminhos a montagens de carros com robôs, a tecnologia está aí avançando maravilhosamente. Isos vai gerar um certo desemprego mas confiemos que a tecnologia e seus algoritmos também vai resolver isso.

Mas não é essa a pauta, não é esse o novo poder que eu falo no título.

Estou citando concretamente um livro que acabo de ler, do criador do Giving Tuesday, que aqui abrasileiramos e chamamos de #diadedoar (invenção criativa minha, que conste, risos).

Ele se chama Henry Timms e estive com ele recentemente, no encontro de líderes globais do GT na República Dominicana. Ele me presenteou com seu livro NEW POWER, escrito com outro cara fantástico, criador da Purpose, uma agência de ativação e mobilização, o Jeremy Heimans.

Timms fez uma palestra curta mas inspiradora. O novo poder está focado na sociedade civil, ou seja, nós, você, eu e sua tia Gertrudes somos o novo poder. E isso não é frase feita, discurso de político, mensagem publicitária. Isso vai além do Yes, we can do Obama na sua primeira campanha. Mas isso também tem a ver com o Obama.

O novo poder opera diferente das constituições, do que pode ou não pode, do que decidem os grandes, os poderosos, os ricos ou ditadores da vez. Ele é feito por muitos. É um crowdpower. É aberto, participativo, dirigido por pares, gente como nós. É distribuido, como a agua ou a energia elétrica. Que chega na sua casa você não sabe muito bem como. Mas quando você liga o chuveiro está lá, com
força, funcionando.

Russell é um filósofo que dizia que o poder é a habilidade de produzir algum efeito intencionado. Sempre associamos poder com força e em geral de uma única pessoa ou grupo perante outros.

Agora temos essa habilidade e a exercemos. Podemos fazer um filme, podemos fazer um movimento. Yes, podemos. We can.

Não a toa Timms criou o Giving Tuesday. Ele via que poderia estimular mais pessoas para um contraponto ao Blackfriday que ocupava corações e mentes de milhões de americanos. Porque não fazer o mesmo para a doação? E lá foi ele. mas não no método clássico. Aparecendo ele como criador, como o articulador, como o poderoso que move montanhas para que a coisa aconteça.

O givingtuesday e o #diadedoar são movimentos com as caracteríscas do novo poder: distribuidos, entre pares, inspiradores, participativos. Uma pessoa pode pegar a ideia e criar um dia de doar em Sorocaba (como aliás foi feito). Um grupo de estudantes pode criar um dia de doar fora do próprio dia de doar, como universidades e hospitais estão fazendo nos EUA.

Porque não importa a marca, não importa a autoria nem se busca uma padronização. O que buscamos é desaparecer na multidão, que o crowd assuma, meio caoticamente organizado. Porque sim, tem método. O novo poder tem como foco manter sempre a chama acesa, que ninguem se aproprie, para que seja de todos.

O novo poder está aí e serve pra inspirar. E assim possamos produzir um efeito intencionado claro: um mundo melhor. Simples? Simples.

Link para o livro na Amazon.



Marcelo Estraviz, escritor, empreendedor, palestrante, ativista. Fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) e da associação de ex-alunos do Colégio Miguel de Cervantes; conselheiro do Greenpeace, do Instituto Filantropia, do Cidade Democrática e do Engajamundo. Autor dos livros “Captação de diferentes recursos para organizações da sociedade civil” e “Um dia de captador“. Acaba de lançar o livro “Pause“, sobre suas experiências com períodos sabáticos. É Empreendedor Cívico da RAPS, Rede de Ação Política pela Sustentabilidade e Presidente do Instituto Doar.


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