Especialista ensina como o big data pode ajudar sua organização a captar mais
18 de Abril de 2018 às 06:00
Você certamente já ouviu falar em big data. O conceito, que mal existia até pouco tempo atrás, passou a ser considerado imprescindível para diferentes áreas. Até na captação de recursos. Mas, afinal, o que o termo significa? E como pode ajudar as organizações da sociedade civil?

“Big data é toda informação macro que existe no mundo e que está em diferentes bancos de dados como os do Banco Mundial e da Organização Mundial da Saúde, ou em ferramentas como o Google e o Facebook. Ela pode ser acessada por qualquer um”, explica Pedro Espinoza, diretor de doações do Greenpeace.

São justamente as ferramentas de big data que ajudam a organizar e a interpretar essa profusão de informações de diversas fontes. No terceiro setor, afirma Espinoza, o recurso é comumente empregado para definir e conhecer os apoiadores das organizações e para traçar estratégias sobre como abordá-los.

Parte dos dados usados pelo Greenpeace é coletada quando alguém assina petições da ONG ou durante captação face to face, revela Espinoza. É a partir da análise desse material recolhido que a instituição consegue traçar perfis dos seus mais de três milhões de colaboradores em todo o mundo.

“No Brasil, sabemos que o principal perfil de doador é mulher, com mais de 35 anos. Já na Holanda, também é mulher, mas acima de 60, e que está em nossa base há mais de 10 anos”, explica.

Essas informações agregadas a outras obtidas, por exemplo, via Facebook, ajudam a instituição a conhecer ainda mais as características do público-alvo. “Conseguimos também descobrir os interesses, os hábitos de compra e as afinidades”, afirma.

A associação de maneira sistemática desses elementos pessoais com dados macros pode resultar em ações “cirúrgicas”, aumentando as chances de sucesso.

“Digamos que descobrimos que aquela mulher casada, de 35 anos, tem dois filhos. Para esse perfil, criamos uma campanha focada no futuro. Certa vez, fizemos uma ação sobre os corais da Amazônia e, entre as pessoas que incluímos nela, estava um doador que também tem filhos”, conta Espinoza, destacando que a estratégia foi uma forma de aumentar a identificação do público com a campanha.

O grande volume de informações também possibilita que sejam feitos testes que sinalizarão quanto de recurso deve ser investido numa ação. Foi o que aconteceu na iniciativa em defesa dos corais.

“Criamos uma campanha inicial e a deixamos duas semanas no ar para entender como a audiência se comportaria. Não teve impacto. Mudamos. Deixamos mais duas semanas. Não deu certo de novo. Refizemos e funcionou. Conseguimos mais de 130 mil assinaturas”, lembra.


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